agosto 24, 2008

Sobre a Turma da Mônica Jovem

[Nota] Esta matéria contém spoilers da primeira edição, se não quiserem estragar surpresas da história parem de ler a partir do aviso.


Leio quadrinhos desde antes de saber ler. Durante toda a década de oitenta, lia na maioria das vezes Disney, Trapalhões ( da editora bloch) e principalmente Turma da Mônica.

Como tal, fiquei fã de Maurício de Sousa, seu trabalho e personagens e seguia acompanhando suas histórias mesmo após me interessar por quadrinhos de humor e heróis. Com isso me incentivou a também criar e fazer minhas histórias e meus personagens. Hoje estou, como qualquer outro quadrinista brasileiro novato, tentando entrar neste mundo de arte e entretenimento.

Bom, mas chega de conversa fiada, vamos falar do alardeado TURMA da MÔNICA JOVEM. Para mim não é tão difícil aceitar a turminha mais velha, pois era um desejo do meu sub consciente em vê-los mais velhos com outra temática de história.

Por isso em 1998 criei um fanfiction ( história ficcional de fã ) chamado, Menores do Amanhã, todos que me conhecem, sabem que faço este fan fiction a muito tempo e por causa das pessoas que gostaram da idéia continuo fazendo até hoje e publico as histórias neste blog reservado a eles. Como podem ver, eu tenho uma visão pré concebida do que seria "uma Turma da Mônica Jovem". Se já mandei essas minhas idéias para o Maurício? Tentei, mas não consegui, infelizmente. Mas deixa pra lá.

Nos últimos anos entrei numa comunidade oficial da Turma da Mônica, no Orkut, onde entravamos em contato com bastidores de produção das histórias. Foi de lá que descobri sobre a troca de editora, dos almanaques inéditos de personagens como Tina e Astronauta. De edições especiais como “Lostinho” ( sátira do seriado Lost ), Guerra nas estrelas. De polêmicas como a nova aparência do Rolo e cia, as caretas, etc...


Daí, um certo dia, descobri que iam lançar uma Turma da Mônica Jovem em estilo Mangá. Como diriam no Jovem nerd: MINHA CABEÇA EXPLODIU!!! DUAS VEZES!!!

Eu não sabia o que pensar naquele momento, fiquei apreensivo, pois temia que... Bom... Esperei, apenas isso e aqui estou com um exemplar na mão. Antes de mais nada, achei a iniciativa muito boa, uma evolução que acho coerente em historinhas que são publicadas a quarenta anos. Retratá-los com o estilo oriental foi uma boa sacada.


Uma coisa é a idéia ser boa, mas na prática...


A começar, não é necessário falar toda hora que é em estilo mangá. O que interessa é a história, deixem o leitor descobrir o mangá sozinho. O fato de ser mangá não me incomodou nem um pouco gosto do estilo tanto quanto qualquer outro, mas há um excesso de elementos orientais que poderiam até ser desconsiderados em algumas cenas.

A revista em si me surpreendeu pelo numero de páginas e seu formato diferenciado. O fato de ser em preto e branco, também não me incomodou.

A influência do mestre Osamu Tezuka é digno de nota, nas primeiras artes conceituais do projeto achei muito semelhante a revista Witch da Disney italiana, mas no conteúdo da revista a dinâmica da história mostra retículas, caretas e enquadramento bem ao estilo característico que virou mania no mundo inteiro, tirando excessos...

A caracterização dos personagens adolescentes... Ai eles entraram numa área perigosa, mas muitas dessas mudanças eu aceito, afinal eles cresceram. No entanto, algumas coisas podiam ter sido preservadas ou melhoradas. Magali por exemplo poderia continuar com sua gula e misteriosamente se manter magra sem problemas. A Mônica podia ser um pouco mais grosseira, principalmente nos diálogos, porém ainda simpática.

“Céuboy” é um nome esquisito pro anjinho, mas como foi comentado pelo roterista, é uma referência a “Hellboy”, personagem de Mike Mignola, muitos não gostaram disso e até concordo com isso em termos.

Como disse antes, eu tenho uma visão própria de como seria uma Turma da Mônica adolescente fica um pouco esquisito ver aspectos conflitantes com a minha visão. Temos que considerar que essa fase é problemática e amenizar certas características não condiz com o público que querem atingir.


A história [ atenção! Spoilers!!]


Bom, taí o grande elo fraco de tudo. Explico.


Na primeira parte da história, somos apresentados aos personagens e descobrimos que eles cresceram e que não são mais os mesmos, ok. O grande problema é que isto é dito durante todo o capitulo, de maneiras diferentes e repetidas vezes. É um erro comum nos quadrinhos o narrador falar exatamente o que esta acontecendo na cena a olhos vistos. Deveriam ter maneirado nisso.

Na segunda parte nos leva a um museu no bairro de nossos herois onde somos apresentados ao “Fran” ( o Franjinha ) com jeito galã, assistente do professor Falconi ( personagem criado para a história notem que os traços dele são bem do estilo do Tezuka como falei antes...) coordenador do museu que guarda artefatos místicos. Também aparece o “Céuboy”. Então sabemos sobre a lenda da Rainha Yuka derrotada por quatro samurais que a aprisionaram numa pedra lunar. Tudo ia bem até aparecer o Capitão Feio agora “Poeira Negra” ( não precisava mudar tanto.) passou a ser um segundo vilão após libertar a Rainha Yuka, uma poderosa entidade ao qual ele agora serve , particularmente espero que isso seja parte de um plano do Feio para tirar alguma vantagem sobre a rainha.

Tudo poderia ser passavél, mas as coisas começaram a ficar esquisitas a partir da página 95 ( com o gancho na página 25 á 27 ). quando descobrimos que as mães da Mônica e Magali e os pais de Cebola e Cascão ( os que se parecem com os filhos ) são guerreiros samurais ( ou encarnação deles... espero...) que haviam aprisionado Yuka no passado, surgem para ajudar os filhos. No final, numa espécie de regra esquisita ( Até achei interessante o Cebola concordar...) na qual eles terão que assumir o lugar dos pais para deter Yuka e para isso terão que viajar por quatro dimensões. ( cada uma com características típicas dos sub gêneros de mangás ) pegar artefatos místicos...

Bom e ai veremos o resultado nas próximas edições.


Concluindo, a idéia é boa. Mudar a temática para uma história de aventura e ação incluindo o dia a dia deles é bom. Se for para ser uma história só de adolescentes para que serve as histórias da Tina então?

Mas a trama não esta boa, esta é minha opinião. Muito deve ser melhorado e aprimorado. Pois a maioria dos que não gostaram tem suas razões e acho bem acertadas.

Estão pisando em ovos, isto desde os últimos anos, pode ser que as vendas digam o contrário, mas todo cuidado é pouco.

Eu acredito que boas histórias possam sair de uma turma da Mônica jovem, no entanto tenham consciência que o jovem também é leitor e o amadurecimento dos personagens tende partir de quem os escreve.

Poderia ser ofensivo ou dizer que tudo não passa de uma merda sem fim, mas não sou assim. Acredito que para ser ouvido preciso descer de meu pedestal e dialogar.

Tenho todos os motivos do mundo para odiar isso, mas simplesmente me reservo a apatia e tento achar uma solução e não uma simples critica.


Rogério.



3 comentários:

Fábio Hideki Harano disse...

Aê, Rogério!
Também vou escrever um texto sobre a Turma da Mônica Jovem, mas, diferente de você, tenho muitas críticas negativas a fazer.
E também vou encomendar os quadrinhos seus via Sedex. Estou enrolando, mas vou encomendar!
Abraços!

Maurício Dias disse...

Gostei do seu comentário Rogério, também penso parecido. Mas para mim, o Menores do Amanhã ainda é imbativel como versão da turminha adolecente.

Fificat disse...

Pois é, eu comprei uns exemplares pra ler e o que eu tenho a dizer é parecido com tudo que você disse...

Infelizmente tá fraco, meio forçado e precisa melhorar muito ainda... espero que eles façam isso nas próximas edições...